Titular: Helio Fernandes

terça-feira, 28 de outubro de 2014


*Blog oficial do jornalista Helio Fernandes que durante 46 anos foi diretor do jornal Tribuna da Imprensa. Aqui teremos suas matérias exclusivas, e também a participação de colunistas especialmente convidados. (NR).

NUM PAÍS DE TANTOS GOLPES E MILITARISMO TORTURADOR, COMEÇAMOS UM NOVO PERÍODO. SEM GOLPE MILITAR, MAS TUMULTO NA CONTINUIDADE SEM ALTERNANCIA.

HELIO FERNANDES

Qualquer analise da eleição presidencial de domingo tem que começar pelo número enorme de eleitores inscritos, e a colossal abstenção, votos nulos e brancos. Especialistas disseram que “esteve na média histórica de outras eleições”, o que está muito distante da realidade.

O eleitorado brasileiro vem crescendo todo ano ou toda eleição. Mas os que não comparecem ou não votam, é proporcionalmente muito maior. Números que não podem ser eliminados, são estatísticos e indestrutíveis.

No primeiro e segundo turno, praticamente o mesmo total: 140 milhões de cidadãos em condições de exercer o voto, mas jogando fora a possibilidade de influir, influenciar e modificar o resultado final.

Os que inscreveram obrigatoriamente e não votaram, chega ser altíssimos. E se dividem em três grupos. 1 – Abstinência, os que não se dão o trabalho de sair de casa. É impressionante a coincidência entre todos os estados. Média 19 a 21 por cento.

2- Votos brancos, muito baixo, entre 1 e 3 por cento, raramente no total mais alto. 3- Votos nulos: mudanças grandes entre estados. Muitos em 1 ou 2 por cento, mas vários chegando a 7 por cento. Não dá para fazer média.

Mas numa soma não exagerada, nos três tipos “de não voto em ninguém”, 25 por cento, o que é muito. Esse um quarto de 140 milhões, dá exatamente 35 milhões, lógico pode ser tanto para um lado quanto para o outro.

Como a tendência dos “governistas” é votar, Dona Dilma não foi prejudicada. Sem que isso inocente o adversário, Aécio. Ele pode não escapar da condenação de não ter seduzido o eleitor para aproveitar o voto, que naturalmente iria para a oposição.

De qualquer maneira, é preciso examinar o problema, gravíssimo. Talvez a solução esteja em acabar com o “voto obrigatório”, que quase não existem no mundo.

Mas conheço e reconheço os efeitos colaterais, de corrupção e oportunismo com o voto livre de vontade. Sem as garras e os grilhões do “vota ou morre”.

Dona Dilma falou muito, esqueceu o mais importante, a economia.

O setor onde errou, exageradamente não mereceu nem uma citação de beira de página. Falou na “reforma política”, (imprescindível), mas usando os velhos chavões da incompetência. Deu prioridade á reforma política, (nada contra), mas usando constituinte exclusiva, plebiscito, referendo.

As mesmas coisas que lançou a partir de junho de 2013, quando o povo foi para as ruas, e uma das mais assustadas era ela. Essa reforma política tem que ser feita entre o Executivo e o Legislativo, que acabam de sair de uma eleição direta e praticamente plebiscitária. Retirar essa reforma urgente e indispensável do âmbito e da decisão dos Poderes Republicanos, é erro incrível com jeito de usurpação.

Dona Dilma eleita duvidosamente e favorecida com o aproveitamento da máquina, que não foi criada pelo PT, mas ele é o grande beneficiário, precisa estudar um pouco e aprender que o referendo ou o plebiscito têm que ser utilizado para um único assunto e não para a reforma política. Esta no mínimo com 30 itens que precisam ser inutilizados, regulamentados ou garantidos pelo aval do Executivo e Legislativo
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PS- Dois exemplos de referendo ou plebiscito para assuntos diferentes. 6 de junho de 1963, referendo convocado pelo presidente João Goulart sobre Presidencialismo ou Parlamentarismo. SIM ou NÃO, o votou povo amplamente pelo presidencialismo, não precisou de mais nada.

PS2- Há pouco, referendo sobre independência da Escócia. Duas variantes colocadas diante do cidadão. Muita gente era a favor da independência, mas achou que iria piorar a vida, votou para ficar como estava.

2- Para terminar por hoje, agora estamos começando a temporada de análises, comprometida única e exclusivamente com o progresso e a consolidação do futuro. Trata-se do novo ou futuro Ministro da Fazenda, A coluna de amanhã, altamente elucidativa, e até com o nome do Ministro. Já escolhido, convidado e conversando com Dona Dilma.

PS4- O Ministro Mantega, que em junho soube pelos jornais e pela televisão, que “não seria mais ministro num novo governo Dilma,” apareceu publicamente ontem. Convocou, ÁS PRESSAS, entrevista coletiva, com apenas três perguntas no total de jornalistas. O quase ex-ministro acaba não indo para o FMI.

Surpresas e rotina, na escolha de governadores.

São Paulo - O Maior contingente eleitoral com vitoria total do PSDB. Alckmin se elegeu no primeiro turno, facilmente. Seu projeto de tentar a presidência pela segunda vez em 2018, “engarrafa” a legenda. A votação de Aécio vai coloca-lo em evidencia total. E sua grande vitoria em SP, também outro fator que pode e deve tumultuar a PSDB.

Dado importantíssimo que não pode ser desprezado: Serra voltou facilmente ao Senado, derrotando Suplicy que exercia o mandato desde 1998. Serra em 2018 estará com 76 anos, em plena atividade.

Minas – A derrota de Aécio, para governador e presidente foi a pior coisa que lhe podia acontecer. E é irreparável.

Estado do Rio – Há três meses, quando o senador Dornelles organizou a “Aezão”, escrevi aqui: “O senador será candidato à vice”. E como está fechado com Aezão, este será o governador. Aconteceu. Alem do mais, Pezão proibiu Cabralzinho de aparecer, ótimo trunfo. Na vitoria dedicou-a ao ex-governador, generosidade.

Amazonas – Surpresas até para este repórter. O senador Eduardo Braga, líder de Dilma no Senado, desde que deixou o governo e se elegeu senador com a mulher de suplente, tinha o projeto revelado por mim. Voltar a governar o estado e a mulher assumir no senado. Lula e Dilma foram lá duas vezes, derrotadíssimos.

O prefeito Artur Virgilio foi a grande sensação na derrota de Eduardo Braga, E uma represália a Lula que em 2006, fez tudo para que Virgilio não se reelegesse senador.  Diplomata de carreira, Virgilio “pediu o posto”, ficou 5 anos no exterior. Voltou, se elegeu prefeito, atropelando Lula, Dilma e a senadora do PC do B, Vanessa Grazziotin. E teve o apoio notável de Omar Aziz, eleito senador.

Agora Braga volta ao senado, à mulher continua suplente, o que ele ira fazer em 2018? Tentar a reeleição para o senado ou disputar novamente o governo, perdendo para Omar Aziz? Artur Virgilio já decidiu: disputará em 2016 a reeleição para prefeito de Manaus.

Rio Grande do Norte – Acreditava que com 10 mandatos na Câmara e 70 anos de idade, ganhasse no primeiro turno. Não ganhou nem no primeiro nem no segundo. Esta desequilibrado e suspenso no ar. É deputado e presidente da Câmara até 31 de janeiro. E depois? Continua sendo Henrique Eduardo Alves, mas sem mandato.

Pará e Maranhão – caciques do PMDB derrotadíssimos, Jader Barbalho achava que o filho (que escondia o sobrenome) vencesse no primeiro turno. Perdeu para Jatene, que nem queria disputar a reeleição, atendeu pedido pessoa de Aécio.

Os Sarney e os Lobão, foram dizimados pelo candidato do PC do B, e pela propaganda do Lobãozinho, com slogan idiota e sem autenticidade: “Me ajudem a livrar o Maranhão do comunismo”. Sarney e a filha não se candidataram, ela pode voltar ao governo ou ao senado em 2018, serão duas vagas.

Os Lobão, pai e filho têm que dividir o mandato no senado, haja o que houver fim de linha para os dois.

Bahia – Grande vitoria de Jaques Wagner, a terceira seguida contra herdeiros poderosos de ACM-Corleone. Eleito e reeleito, lançou como sucessor um desconhecido, constrangimento quase veto da cúpula nacional. Venceu Paulo Souto, que já havia derrotado pessoalmente em 2006. A partir de 1º de janeiro irá para Brasília com grande cacife. A vitoria eleitoral, é sempre excelente referencia e sedução para o futuro.

Ceará – Eunicio, favoritíssimo, recusou convite de Dona Dilma em novembro passado, para ser ministro e desistir do governo. Era pedido dos irmãos Ciro e Cid Gomes. Lançaram um desconhecido, vencedor que garantiu o futuro dos irmãos. Principalmente do governador que já se acertou com Dona Dilma: irá para o exterior ficará dois anos. Ciro vai para Brasília, sempre existe futuro para um personagem como ele.

Pernambuco - Paulo Camara estava longe quando seu grande amigo Eduardo Campos morreu. Atropelou, ganhou com enorme facilidade. Distrito Federal – Rollemberg era o terceiro colocado, quando Arruda saiu da Papuda com 32 por cento de votos, Não conseguiu se manter, lançou Frejat, que se destacou. Agnelo Queiroz, com uma rejeição compatível com sua incompetência, ficou bem longe. Ótimo para a capital da mordomia, que tem a maior renda per capita do país.

Acre – Tião Viana ia perdendo a reeleição, e arruinando o futuro da família. Nos últimos saltos ficou na frente por diferença mínima. Roraima – Citado aqui, não pela importância do estado, mas pelo sucesso do “ficha suja”, que impedido, coloca a mulher na disputa e ganha. Suely Campos substituiu o marido Neudo Campos, a primeira mulher a vencer como herdeira do marido vetado.






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