Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

sexta-feira, 31 de julho de 2015

HELIO FERNANDES
publicada em 31.03.14

Hoje e amanhã, 31 de março e 1º de abril, trato do golpe de 64 com lembranças do passado, e análises lúcidas de personagens de hoje. Começo citando como está no título, a afirmação do general Leônidas. Quando ele diz que o “Exército nunca foi INTRUSO”, quer dizer que sempre esteve no primeiro plano de tudo, raramente deixou de ser participante e dominante.

Acontece que escrevo isso há mais de 30 ou 40 anos, citando a participação do Exército na República. Sempre estabeleci a diferença entre duas palavras: PROMULGAÇÃO e IMPLANTAÇÃO da República. A primeira palavra define ou definiria o movimento histórico dos “ABOLICIONISTAS”, e os “PROPAGANDISTAS da República”.

A segunda, intromissão de dois marechais, que entraram na História através de um golpe, (o primeiro da República), e tomaram o Poder. Cambaleando e quase sem conseguir subir num cavalo.

Não vou relembrar a História do Brasil, apenas confirmar o general

Deodoro e Floriano, dois coronéis que vieram brigados da estranha guerra do Paraguai, na madrugada de 15 de novembro, já marechais, se reconciliaram e “expulsaram” os civis da conquista da República. República que com esses dois Marechais, se transformou numa quartelada. Eu sei, o general Leônidas não havia nascido.

E também não era torturador. Mas numa entrevista ao repórter Geneton Moraes Neto, tentou convencê-lo de que “comandou o DOI-CODI”. Ora, o general Leônidas nem sabia onde ficava a Rua Barão de Mesquita. Adido Militar na Colômbia, se perdia no Rio.

O Exército ou generais sempre arrogantes  

Logo depois da República, massacraram e assassinaram toda a população de Canudos. Em 1896 usaram três quartas partes do efetivo militar, usando até canhões. Assassinaram toda a população, não escapou nem o “santo” Antônio Conselheiro.

Como “Tenentes” tumultuaram o país desde 1922, tomaram o poder em 1930. Garantiram a tremenda ditadura do Estado Novo. Ainda tiveram “fôlego” para derrubar João Goulart, que como eu já disse há anos, não tinha nada a ver com os comunistas. Queria o “poder total” e mais nada.

Tenho todo o direito de situar Jango na sua exata posição, pois em 1963, fui o único preso por ordem direta dele. Pediram 15 anos de prisão para mim, estavam certos de que me condenariam. Pois foi na minha casa que nasceu a “Frente Ampla”. Na minha casa e da minha cabeça.

Depoimentos históricos

Anteontem, na mesma página, matérias de agora, altamente elucidativas, competentes inesquecíveis. Numa entrevista ao repórter Bernardo Mello Franco, Daniel Aarão Reis, lúcido e participante, com a visão do torturado agora Historiador, interpreta o golpe dos dois lados. E em com total isenção ou não poderia ser chamado de Historiador.

Aarão Reis, que começou na guerrilha com 23 anos, freqüentou os subterrâneos da ditadura. Foi torturadíssimo até ser trocado pelo embaixador alemão, seqüestrado precisamente para haver a negociação. E a ditadura dos generais torturadores, mostrou mais uma vez a covardia inata e assumida.

Cumpriram as ordens dos EUA

Assim que o embaixador americano foi seqüestrado, (decisão, planejamento e execução perfeita), começaram as conversas. Primeiro exigiram a leitura, nas televisões, do manifesto dos seqüestradores. Veio a ordem: “Publiquem imediatamente”. Publicaram, lógico.

A seguir a exigência da troca do embaixador por alguns presos. Os combatentes ainda não tinham consciência da própria força, “trocaram” por poucos. Mais tarde, com o seqüestro do insignificante embaixador alemão. 39 presos foram soltos ou embarcados para o exterior.

O final da entrevista de Aarão Reis, dois pontos magistrais. 1 – “Faltou povo na guerrilha”. É verdade. Mas como 60 guerrilheiros poderiam passar por cima de 60 mil militares? Que recebiam ordens de alguns generais ambiciosos?

2 – Deixa à mostra a “contradição” de alguns generais e não do Exército: “Até hoje esses generais se omitem, condenam e falsificam a história”.

E de forma irresponsável: “Fui preso, torturado, anistiado pelo Ministério da Justiça. E quem me torturou diz que não houve tortura no Brasil”. E ele mesmo termina: “É uma coisa esquizofrênica”.

Demétrio Magnoli não tinha idade para combater, tem para analisar

Sociólogo, Geógrafo, com vocação de historiador, conta e interpreta fatos importantes. Contesta os “memorialistas das conveniências”, e corajosamente penetra num círculo que tantos querem esquecer. Círculo da contradição, digo eu.

“O golpe de 64 não nos salvou da ameaça comunista que não existia”. E depois: “Isso foi urdido por um fascismo puramente imaginário”. O artigo de Demétrio vai assim até o final, é um dos dois pontos mais completos e para ser aplaudido.

O segundo é a coragem e o discernimento de entrar na interpretação de um dos fatos mais importantes do golpe. Os dois editoriais do Correio da Manhã, intitulados “Basta” e “Fora”. Até hoje se discute, se nega e se confirma a autoria dos manifestos.

Demétrio dá o nome de sete autores, desculpe, foram oito. Hoje todos negando a autoria, com exceção de quatro que já morreram. Esses dois artigos explicitam e elucidam um período torpe, covarde e farsante da História do Brasil.

O primeiro golpe militar foi o da República. Dois marechais que eram inimigos, se reconciliaram, derrotaram a brilhante geração dos “abolicionistas” e dos “propagandistas da República”. Os charmosos “Tenentes de 1922”, combateram até 1930, quando se beneficiaram de tudo.

O Estado Novo, garantido pelos generais

Em 1937, Vargas “implantou” ditadura, que chamou de “Estado Novo”. Garantido pelo general Dutra, que nos oito anos, foi chamado de “condestável do Estado Novo”. Derrubada a ditadura, lógico foi presidente, garantindo a volta de Vargas.

O golpe de 64, teve remanescentes

Alguns mais longevos, que palavra, garantiram o Estado Novo, voltaram em 64. Que capacidade. Concluiu, dizendo: “Vamos olhar para o futuro, esquecendo o passado”. Que farsa, Ministro. Era melhor ficar em silêncio. A Comissão da Verdade deveria ter sido criada 33 anos antes e não agora.

Mas sem interpretar e examinar o passado, não podemos acreditar no futuro. O passado, qualquer que seja ele, tem que ser lembrado, mesmo para ser contestado. Quando assinaram em 1979 a extravagante “anistia ampla, geral e irrestrita”, estavam tentando sepultar esse passado.

Os próprios militares que deram o golpe de hoje, estavam apavorados e achavam que com esse “ato” que só beneficiou os vencedores, não valia nada, sendo assinado apenas pelos representantes de um lado. E que estavam absolvendo a eles mesmos.

PS – Fatos desse 31 que completa 50 anos e não mais interpretação. A indecisão e a certeza eram totais. Carlos Lacerda, “ilhado” no Guanabara, com centenas de pessoas, recebeu a informação ou informe.

PS2 – O Almirante Aragão “iria invadir o palácio”. Não sabia o que fazer. Tentou falar com Castelo Branco, dos chefes golpistas, o único que estava no Rio, mas não tinha a menor idéia de onde.

PS3 – Deu uma sorte. Um amigo médico, soube do seu problema, telefonou para o governador: “O general está na minha casa em Copacabana, emprestei para ele. Está com o general Ademar de Queiroz, teu amigo. O telefone da minha casa é 42-6178”. (Na época só seis números).

PS4 – Lacerda ligou, o general Ademar ficou perplexo do governador ter localizado Castelo. Mas não podia deixar de passar o telefone para o chefe do golpe.

PS5 – Lacerda contou o que temia, a invasão do Almirante, recebeu a seguinte resposta: “Governador, não posso fazer nada pelo senhor. A tropa que veio de Minas e a do Rio estão a um ponto do confronto, quero evitar isso” e desligou.

PS6 – Lacerda telefonou imediatamente para o presidente da Comlurb: “Mande os maiores caminhões da empresa, bloqueiem todas as ruas que chegam ao Guanabara. Não pode passar nenhum veículo, civil ou militar”.

PS7 – Apesar de ser o civil de maior penetração nos círculos militares, Lacerda não sabia de coisa alguma. O movimento golpista foi organizado, comandado e empossado por militares, perdão, generais.

PS8 – Abertamente não houve mais nada nesse 31 de março. A ocupação final do poder ficou para o dia seguinte, 1º de abril. Mas como é o chamado “Dia da mentira”, comemorado popularmente, proibiram de forma terminante, qualquer que seja a citação nesse dia.


PS9 – Para os generais, o golpe, desculpem, farsantes até o fim, falavam em Revolução. E comemoravam, como agora, no dia 31.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

HELIO FERNANDES
*publicada em 25.08.14

Ainda me lembro, eu era pequeno e o mar bramia, como dizia o poeta. Nem se falava em petróleo no Brasil, a não ser para negá-lo. Éramos uma displicente e imprevidente colônia dos EUA, eles dominavam tudo. Impuseram e consagraram uma frase: “Não há petróleo no Brasil”. E aceitamos como se fosse irrefutável.

Menos Monteiro Lobato, que combatia as multinacionais e se voltou para a luta que parecia insensata de mostrar e provar que existia petróleo no Brasil. Foi preso, solto, um dia publicou num jornal um mapa da América do Sul, em que todos os países que tinham limites com o Brasil estavam cheios de petróleo, menos o Brasil. E a explicação dele, arcaica na época, não se mostrou verdadeira depois: “Quando Deus criou o mundo, determinou: todos esses países terão petróleo, menos o Brasil”.

Teve que se exilar, morou lá mesmo nos EUA. Em 1860, nos EUA, o coronel Drake, na Pensilvania, não aguentava aquele mau cheiro que parecia vir do fundo da terra. Contratou algumas pessoas, foi furado o primeiro poço de petróleo do mundo, ninguém imaginava o poder que teria.

Quase 100 anos depois, surgia no Brasil uma campanha civil militar com o slogan empolgante, patriótico e aparentemente libertador: “O petróleo é nosso”. A partir de 1950, surgiu no Brasil o movimento de libertação, mas o petróleo mesmo só apareceria muito mais tarde. E como tudo no Brasil, devorado pela corrupção. Criaram o Ministério de Minas e Energia, logo depois a Petrobras.

Na época importávamos mais de 20 bilhões de cruzeiros de combustível, total que foi aumentando. O petróleo bruto, arrancado da terra, significava pouco. Depois de extraído, precisa ser refinado, transportado, distribuído, transformado na realidade mais visível e utilizável, que é o combustível.

Fomos nos convencendo da realidade de uma economia baseada no petróleo. Mas por interesses puramente pessoais e políticos, agigantaram e encareceram de tal maneira a Petrobras, que cada barril arrancado da terra custava pelo menos duas vezes o preço do mercado. Essa é a herança que ficou para a Petrobras de hoje, praticamente desde 1950/60 e que agora se transformou em tragédia, catástrofe se continuar assim.

Em 1979, o general Geisel (então “presidente”) nomeou para a Petrobras um japonesinho audacioso e ambicionado, que tinha sido seu ministro das Minas e Energia. Há mais de 20 anos, é o homem mais rico do Texas, tem mais poços de petróleo do que a família Bush, que nasceu lá.

Shigeaki Ueki mora no Texas com os filhos, precavidos, nem aparecem no Brasil. Não foram só eles que enriqueceram, foram milhares, só quem empobreceu foi o povo brasileiro, apesar das descobertas de petróleo irem se multiplicando, até chegar ao maravilhoso (?) pré-sal.

O petróleo entrou definitivamente na realidade dos aspirantes do Poder. E na divisão dos cargos, a Petrobras era mais cobiçada e ambicionada do que muitos ministérios. A Petrobras “de porteira fechada” (como se diz hoje) tem cargos portentosos e prodigiosos. Esses cargos tão concentradores administrativamente, são ainda mais concentradores em matéria de fortunas.

FHC: A ERA DA TRAIÇÃO

O “sociólogo” foi um raio de destruição que caiu sobre o Brasil. Desestatizou tudo, as maiores empresas estatais foram “trocadas” por ações de empresas falidas, que não valiam nada. Há anos e anos (com FHC no Poder) este repórter pediu uma CPI para apurar a fortuna dos membros dessa Desestatização, e seus apaniguados. Não consegui nada.

FHC queria doar a Petrobras, não teve coragem, esse é o traço principal do seu caráter. Criou então o que se chamou de L-I-C-I-T-A-Ç-Ã-O, assim mesmo, sincopado. Que existe até hoje, ninguém foi preso ou cassado por causa disso. LICITAVAM, de preferência, poços com petróleo já descoberto e comprovado. É de dar vergonha, tanta traição.

O SUPREMO NÃO DEIXOU ACABAR ESSAS LICITAÇÕES

Terminou a traição FHC, veio Lula. Dona Dilma, que já estava escalada para o Ministério de Minas e Energia, se reuniu com líderes da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras), que fizeram história, mas não se mantiveram. Dona Dilma queria acabar logo com as licitações, ninguém sabia como. A AEPET aconselhou: “Essa licitação de agora não tem maior importância, espera a senhora assumir”.
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quarta-feira, 29 de julho de 2015

HELIO FERNANDES
*publicada em 19.02.14

Em 1981, portanto quase 2 anos depois da farsa da “anistia ampla, geral e irrestrita” de 1979, foram cometidos dois crimes. Por muitos motivos, vingança, acerto de contas, represália, mas com planejamento e objetivo mais do que visível e ostensivo: PRORROGAR A DITADURA, que com o ato de 1979, estava derrubada e com data certa para terminar.

A destruição da Tribuna

Foi o primeiro ato de destruição, uma espécie de teste para o que viria no 1º de abril. Em fevereiro de 1981 a Tribuna foi pelos ares, com tudo organizado e milimetrado pelos generais Otávio Medeiros e Newton Cruz. Os dois do SNI, o órgão mais poderoso, que “fazia presidentes”, e sonhava com a prorrogação do golpe de 1964.

O General de quatro Estrelas, Otávio Medeiros, era o chefe Geral do SNI. E tinha um objetivo a defender e a preservar: se a ditadura continuasse e mais um general assumisse a “presidência” seria dele. Newton Cruz, de três Estrelas, era o chefe do SNI de Brasília, servo, submisso e subserviente ao comandante poderoso.

No Senado, a CPI do Terror

Funcionava em Brasília, lógico, o relator, André Franco Montoro (notável figura, depois governador de São Paulo) providenciou imediatamente minha convocação para a CPI. Telefonou para Barbosa Lima, presidente da ABI. (Eu era conselheiro, fiquei por 18 anos. Meu compromisso com o notável jornalista era ficar enquanto ele fosse presidente). Marcamos um encontro na ABI.

Fui depor, falei 6 horas seguidas, respondi perguntas de senadores (e até deputados) da oposição e da situação. Citei e acusei nominalmente Otávio Medeiros e Newton Cruz. Calei os defensores do golpe e da ditadura, assustei a oposição. Fui tão duro e explícito, que não permitiram que dormisse em Brasília. Foram me levar ao aeroporto, me “empurraram” para dentro de um avião.

Meu depoimento desapareceu

Não sabia, nem remotamente, que haveria o 1º de Abril, até hoje chamado de “atentado do Riocentro”. Mas quando aconteceu, juntei os fatos, que rigorosamente verdadeiros, formavam e confirmavam o plano de continuação da ditadura. Dois anos depois, precisando do depoimento, pedi a senadores que tirassem copia para mim.

Como falo sempre de improviso, não tinha como reproduzir o que falara. Aí, assombro, surpresa, perplexidade: O DEPOIMENTO SUMIRA. Não foi possível encontrá-lo de jeito algum. Naquela época “eram notas taquigrafadas”, não eram discursos ou depoimentos gravados, que não podem ser cooptados, roubados, surrupiados.

Newton Cruz é culpado, mas muitos outros generais também

Os governos que se sucederam, chamados de “democráticos”, são também completamente culpados. Só mais de 30 anos depois, (agora) foi criada essa Comissão da Verdade, que não pode fazer nada. Responsabilizam o general Newton Cruz, o único que está vivo. Os “outros”, também indiciados, foram apenas coadjuvantes.

O marechal Pétain e o General Newton Cruz

Herói na primeira guerra, por ter vencido os alemães na inexpressiva batalha Verdun, foi consagrado de todas as maneiras. Na Segunda Guerra, se transformou em traidor, formou o governo de Vichy, apoiando Hitler contra a própria França. Aos 89 anos foi condenado à morte. Com a pena convertida em perpétua, morreu antes dos 90.

Newton Cruz não tem formação, convicção e reflexão de herói. Se for condenado a 36 anos de prisão, quanto tempo poderá cumprir? Acusei o general quando ele era poderoso, da ativa, do SNI, com pouco mais de 50 anos.

Não quero acusa-lo ou defendê-lo, apenas iguala-lo a outros generais golpistas que já morreram. Ou a civis que chegaram a presidentes, (ou ocuparam cargos importantes, impunes) depois de apoiarem o golpe e se serviram dele. E ao contrário de Newton Cruz, um só, os civis golpistas são muitos.

PS – A Comissão da Verdade tem poderes para enquadrar todos eles. E o Ministério Público também.

PS2 – Alguns podem até mesmo ir para a Penitenciária de Pedrinhas, estarão e casa.
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terça-feira, 28 de julho de 2015


O MENSALÃO ABRIU CAMINHO PARA DESTRUIÇÃO DA REPÚBLICA. NO TEMPO E NA RESPONSABILIZAÇÃO. DOS CULPADOS, TODOS. AGORA MENSALÃO.

HELIO FERNANDES
29.07.15

Já analisei ontem a defesa da Odebrecht (empresa) e de Marcelo, (proprietário) representados por seus advogados. Estes têm todo o direito (transformado em dever ou obrigação) de utilizar todos os meios que consideram mais adequados e convenientes para favorecer seus clientes.

Mas advogados não podem acreditar que obterão sucesso utilizando o ódio e a vingança como armas de defesa. Principalmente num processo em que atuam a favor de empresário praticamente indefensável. Não só como pessoa mas também sendo empresário que é, poderoso, arrogante, prepotente, que jamais acreditou que poderia ser sequer investigado quanto mais preso, e para piorar, coletivamente.

Alem do mais “se defenderam de um adversário errado”. O juiz Sergio Moro só fez uma intervenção no c=processo, mandando prender Marcelo Odebrecht. Agora só falará novamente, quando receber as razões do Ministério Público, Nessa instancia Federal a última decisão é dele, naturalmente cabendo os recursos constitucionais.

A defesa não percebeu (vá lá o louvor, “não quis perceber”) que tinha que se fixar no Ministério Público, que fez todo o trabalho que vai encarcerar seu cliente por muitos e muitos anos.

(Apaniguados de Odebrecht e de sua empresa, espalham por todos os lados, ângulos e veículos: “Crime de corrupção PE punido com dois a quatro anos de prisão e ainda assim em regime aberto”. Só faltaram impingir á opinião pública, que poderiam prestar “serviços á comunidade”, para “ressarcimento” dos crimes).

Isso foi antes do mensalão. Pelo tempo, levou quase 10 anos. E as sentenças, que começaram em oito ou nove anos e chegaram a 15 ou 20, terminando em 30 o máximo permitido.

Esquecendo o relatório do Ministério Público, na última sexta-feira, (e que continua), os advogados não contestaram nada do que foi arrolado e revelado para a opinião pública. O silêncio da defesa PERTUBADOR (Moro).

As anotações de Marcelo Odebrecht, no celular e no computador, arrasadoras. Mas entre todas, esta inacreditável: “Vi uma notícia da Alemanha, o presidente da Siemens, envolvida pelo governo alemão, pagou MULTA BILIONÁRIA, para se livrar da acusação. Poderia começar a pensar nessa saída”.

Isso antes de ser investigado e preso. Quem destruiria uma CONFISSÂO voluntária e antecipada como essa?

Petrobras.

A Lava jato é o maior escândalo de todos os tempos. Tem sido examinado nos mais diversos lugares, aqui quase todos os dias. Agora só o prejuízo de milhões de acionistas no Brasil.

Cada ação chegou a valer 53 reais, e a expectativa era positiva. Com a revelação da roubalheira, as ações foram caindo, em fevereiro chegaram ao preço menor no mercado: 8,22. Isso em fevereiro de 2015.

Em abril com o famoso balanço, começaram a subir, em maio estavam na “casa” dos 14 reais. Parecia recuperação. Ontem, apensar de subirem 5 por cento cada, fecharam assim. Ordinárias, 10,47. Preferenciais, 9.98.

“Não deixarei a presidência da Câmara”

Só um personagem pode fazer essa afirmação. Fez várias vezes no Rio e anteontem repetiu em São Paulo, com um acréscimo: “Não renuncio nem me licencio, mesmo que seja denunciado perante o Supremo”.

Incrível que um caso como esse seja decidido pelo próprio acusado, Eduardo Cunha. Falou para 500 empresários, não tinham mais o que? Como lobista profissional, Cunha estava deslumbrado com aquele auditório.

Atacou duramente o governo, usou seu tema predileto, o impeachment, disse tranquilamente: “Quem devia renunciar para não ser retirada, a presidente Dilma e alguns dos seus Ministros”. E riu, satisfeito.

O governador Alckmin, presente, abraçando e confraternizando com um corrupto de 15 bilhões. Um amigo de Alckmin disse: “o Alckmin não podia ignorara o presidente da Câmara, não como governador e sim como presidenciável para 2018”.

O vice Michel Temer chegou dos EUA, falou: “A posição do PMDB, é inteiramente diferente”. E mais baixo, quase sussurrando: “Eduardo Cunha sabe disso”.

Taxa Selic.

Hoje, quarta-feira o BC anuncia, a decisão sobre os juros. Subirão. A dúvida: 0,25 ou 0,50? Já estão elevadíssimos, é um crime de qualquer ponto de vista. Mas o efeito sobre a Dívida federal atordoante.

O total está em 2 TRILHÕES, 580 BILHÕES. Se subir 0,50, mais 12 BI e 500 milhões. Dizem que não é toda dívida remunerada pela Selic. “Chute”. Mistificação. É tudo igual, como estabelecer diferença? O tempo para vencimento dos títulos, esse sim, é diferente.

PS- É evidente que não pretendo diminuir ou depreciar o mérito dos atletas que ganharam medalhas, (ouro, prata e bronze) em Toronto. Toda satisfação e alegria.

PS2- Mas estou constatando exagero e exaltação que na certa cevarão á decepção em 2016. Panamericano e Olimpíada, nada ver, nenhuma comparação.

PS3- O terceiro lugar no Panamericano, que representa o primeiro sem a América do Norte (EUA e Canadá) obrigação que foi cumprida de forma elogiosa.

PS4- Mas nas Olimpíadas, mesmo em casa, uma colocação entre oitavo e o décimo lugar, não seria brilhante ou decepcionante. Apenas o esperado para um país que não plantou nada no esporte.
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A CRISE DAS CRISES

FERNANDO CAMARA
29.07.15.

Política e economia andam juntas

Para entender por que a economia está parada, é preciso entender o porquê da política estar num momento de estagnação, sem dar respostas para as questões que afligem a população de forma geral. O país vive em imenso compasso de espera em todos os setores, onde a maior crise é a de confiança, como veremos a seguir.

Vejamos primeiro a economia. Os empresários simplesmente trancaram seus cofres. Não confiam. Temem investir num país que, de uma hora para outra, pode mudar as regras do jogo, sem a menor cerimônia ou, ainda mais grave, venha uma mudança de governo. Quanto às regras de jogo, foi assim, por exemplo, no setor de petróleo quando o governo optou pelo sistema de partilha, sem consultar os interessados.

O mesmo ocorreu no setor elétrico. Agora, por mais que o governo lance mil planos de parceria, etc, os investimentos permanecem travados. Somando-se essa falta de confiança com a crise internacional, pronto. Está criado o caldo da paralisia. O resultado que se vê é a falta de confiança alimentando os índices de desemprego, de inflação e de juros, que esta semana devem subir meio ponto percentual.

Diante disso, o que faz a política? Nada de especial. A receita do governo para tentar salvar a presidente Dilma Rousseff da enrascada política em que ela se encontra é mais do mesmo. Esta semana, ela promete deflagrar um périplo pelo país: lançamentos de programas, aparições públicas, etc. Sim, mas com quê dinheiro, se não há orçamento?

E a política?

Vê-se por esses dias o Congresso num recesso ilegal (os deputados e senadores não poderiam ter saído de férias porque simplesmente não votaram a Lei de Diretrizes Orçamentárias). O nervosismo de seus principais atores só cresce porque virou lugar comum dizer que a Lava Jato chegou aos políticos. Essa afirmação é otimista e imaginária, pois não conhecemos os autos dos processos, mas há sinais de que a hora deles realmente chegou, haja vista a busca e apreensão nas casas e escritórios de senadores e deputados.

Contudo, é impressionante a ligação das ações do STF com o desenvolvimento da política e a distância entre a agilidade dos magistrados de Curitiba, com destaque para o pop star Sérgio Moro e os ministros do Supremo. Ora, já há condenações de empresários e de operadores, as investigações seguem para os segundos escalões, com destaque para os funcionários da Petrobras, e o STF apenas apreendeu os carrões do Collor.
Nada de oitivas, nada de questionamentos, tudo represado. Talvez algumas das respostas tenham sido fornecidas a Dilma na cidade do Porto, no encontro que a presidente teve com o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, numa escala “não programada”,( vejam só!)da viagem à Rússia.

Um delator acusou o Eduardo...

Em meio à afirmação “chegou aos políticos”, foi para a defensiva o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. O deputado tem informações seguras de que o vídeo, com a acusação, partiu de aliados orientados pelo Planalto para a TV Globo. Num Petrolão com dezenas de parlamentares enrolados, no vídeo constava um único  nome, o do presidente da Câmara.

A reação de Cunha surpreendeu o mundo político. O gelado Pingüim destemperou. E mostrou a face de um personagem ainda não revelado até então. Deixou de lado o irônico, o metódico, o frio, o calculista. Mostrou um ser raivoso e destemperado. As frases ficaram guardadas na memória: “Desafio a prová-las”, “Rompimento pessoal”

Quem perde mais?

Ninguém ganha com o destempero, mas o governo Dilma é quem perde mais... Tinha dentro da sua base um líder que, embora nem sempre apoiasse as ações governamentais, segurava algumas propostas. Agora não tem mais; pode até ser que alguns dos seus liderados não o acompanhe em tempo integral,  mas muitos irão acompanhá-lo e todos irão tentar tirar vantagens dos seus movimentos.

Não há como contestar se Eduardo Cunha passar a integrar as fileiras da oposição, mesmo não aceito por elas. O fato é que as dificuldades da vida do governo no Congresso, que já não são poucas, irão aumentar. 

Rompimento fajuto?

Dentro do PMDB, o partido trata de colocar Eduardo num “reservado”, ou seja, não é hora de partir para o ataque final para cima do PT. Daí, o fato de alguns afirmarem que o rompimento é fajuto. Mas o relacionamento que era mantido à base de acordos, terminou. Agora restam aos bombeiros o trabalho de rescaldo e também um compasso de espera. 

Cunha terá apoios à medida que consiga contornar as denúncias Será ou não réu? O que consta nos autos que se encontram nas gavetas do STF? A imprensa especula a saída de Eduardo Cunha, alguns pedem seu afastamento. Ele, porém, não vai se mover nessa direção. Não tem a personalidade de quem vai mergulhar até a tempestade passar, como tem feito, por exemplo, Renan Calheiros e o senador Edison Lobão.

Enchendo o paiol

Na abertura dos trabalhos, na próxima semana, o governo tem que estar preparado para responder  à primeira dúvida: qual será o real tamanho da base? Essa é a pergunta mais urgente. Afinal,  o presidente da Câmara se dedicou nos últimos dias a lotar o seu arsenal de combate para o segundo semestre.

Ele vai instalar duas novas CPIs – Fundos e BNDES. Certamente, trarão desgastes ao governo e podem complicar o quadro, levando a uma situação de reforçar um possível pedido de impeachment, mas não acredito que tenha o mesmo efeito do Petrolão, pois não têm por trás o aparato do MP e da DPF que atendem ao juiz Moro, um magistrado com tamanha aptidão. 

Da parte do Executivo, a luta política continua…

Vimos no anúncio de medidas econômicas o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, cercado pelos ministros da Defesa, Jaques Wagner, e o da Aviação Civil, Eliseu Padilha. Barbosa ganhou uma “ajudinha”. Foi um sinal da busca de novos interlocutores pelo Governo ou Mercadante e Edinho Silva estavam afônicos?

No mesmo momento Michel deu o troco em Mercadante, quando disse que o PMDB pode, sim, deixar o governo, e todos fingiram não ouvir. O PT hoje simplesmente não tem como prescindir dos peemedebistas e já está passando da hora de Dilma promover uma reforma administrativa que demonstre que o governo está fazendo a sua parte no ajuste fiscal.

E no círculo das empreiteiras…

Com os empresários condenados, faltam os políticos e os petroleiros, gerentes da Petrobras, tremem. A entrevista dos procuradores na última sexta-feira foi considerada devastadora para o setor que se enroscou na Lava Jato. Primeiro, tudo o que Marcelo Odebrecht dizia, que não fazia nada ilegal, caiu por terra. Lá estavam, num organograma, todas as offshores que a empresa usava, desvendadas com a ajuda da polícia suíça.

Causou estranheza ainda o súbito afastamento da advogada Beatriz Catta Preta. Ela deixou o país e até agora não se sabe ao certo se foi pressionada, ameaçada, ou coisa que o valha. O que a amedrontou?

O fato de um grupo ter sido transferido para a penitenciária colocou o mundo da política e do segundo escalão das empresas em estado de alerta. Todas as vezes que isso acontece, uma nova leva termina na carceragem da PF em, Curitiba.

E o TCU?


Com a defesa do governo finalmente apresentada, começou a caça aos votos e aos ministros. A reportagem da Folha, na qual Vital do Rego é acusado de ter recebido dinheiro desviado da prefeitura de Campina Grande, em 2010, é um ingrediente que ajuda a desgastar o corte de contas. A semana, embora estivesse programada para ser de calmaria, será pra lá de agitada. Se julho termina assim, pode se preparar porque agosto será pior.

segunda-feira, 27 de julho de 2015


125 ANOS DE REPÚBLICA SÓ CINCO PRESIDENTES DIRETOS, CHEGARAM AO FIM DO MANDATO.

HELIO ERNANDES
28.07.15

Estou terminando a caminhada pela História e a memória, com a constatação que está no titulo. A primeira direta aconteceu em 1945, 56 anos depois da República. Eleito o marechal Dutra, que com o general Góes Monteiro, sustentaram a ditadura Vargas, pretendiam sucedê-lo. Dutra foi o preferido.

A República nasceu traída e traidora, sem representatividade, sem voto, sem povo, sem eleição. Em 25 de fevereiro de 1891, foi “promulgada” a Constituição, escolhido indiretamente o primeiro presidente, o marechal Deodoro. Chamado ao plenário, muito aplaudido. Uma depois chegou a vez do vice, o então Ministro da Guerra, Marechal Floriano. Entrou, idolatria de mais de cinco minutos, o que pautava o futuro, que não demoraria muito.

República velha sem voto, mas também sem segurança.

Nesses 41 anos, até 1930, só um partido, o Republicano, “eleição indireta e combinada”. Em novembro desse mesmo 1891, Floriano derrubou Deodoro, ficou com todos os Poderes, acumulou o Ministério da Guerra.

Para disfarçar, espalharam que Deodoro renunciara. Como acreditar, se em 20 dias antes fechara o Congresso, o Supremo, prendera jornalistas, deputados, até o senador Saldanha Marinho? Que lançara em 1860 o jornal diário, “A República”. Preso quando estava na tribuna do senado, ainda na quinta da Boa Vista.

Como a Constituição determinava eleição (indireta, claro) no caso da vacância na primeira metade do mandato, Floriano, não se incomodou. Ficou os 3 anos e quatro meses de um mandato que não era dele. E ainda tripudiado.

O senador Rui Barbosa falou com o Presidente do Senado, Prudente de Moraes: “Vou entrar com Habeas Corpus no Supremo, obrigando Floriano a convocar eleição”. O presidente soube, mandou recado a Rui e Prudente, utilizando o amigo comum, Bernardino de Campos depois “governador” de São Paulo: “Pergunte a eles, se o Supremo der Habeas-Corpus contra mim, quem dará Habeas Corpus aos Ministros do Supremo”.

Pressão geral, sabiam que Floriano fecharia mesmo a Republica, teve que abandonar a ideia. Vieram três paulistas seguidos, Minas protestou, em 1906 escolheram seu “governador”, Afonso Pena, que não terminaria o mandato, morreu em 1909.

Como já ultrapassara a segunda parte do mandato, assumiu o vice Nilo Peçanha grande inimigo de Rui. Que teve enorme influencia na derrota dele em 1910. Nilo lançou seu Ministro da Guerra, general Deodoro, sobrinho do próprio.

Em 1918, Rui se lançou candidato, pânico geral. Foram buscar então Rodrigues Alves, que já fora presidente, (1902/1906). Com 70 anos e muito doente, ganhou mas não pode ser empossado, embora só morresse, muito mais tarde. Tinha que passar o cargo ao vice Delfim Moreira que não pôde assumir, sofria das “faculdades mentais”. Quem governou foi Afrânio de Mello Franco, por um período tão longo, chamado de “regência Mello Franco”.

Essa República velha, terminaria com mais um presidente que não acabaria o mandato: Washington Luiz. Foi derrubado faltando 42 dias para terminar seu período, 15 de novembro de 1930. Com a novidade: foi asilado para os EUA, com o vice Fernando Mello Viana e o Ministro do exterior, Otávio Mangabeira.

Vargas assumiu sem formalidade, nem direto nem indireto, como Chefe do Governo Provisório, aceitou, sabia que ia ficar mesmo. Ficou. Depois dessa ditadura de 15 anos e da outra de 21, apenas cinco presidentes eleitos pelo voto direto terminaram o mandato: Dutra, Juscelino, FHC, Lula e Dilma.

PS – Desculpem se não acertar com Dona Dilma, estou escrevendo sobre fatos. Acho que apesar de “governar” aos trancos e barrancos, como no primeiro mandato, chegará ao fim do segundo.

PS2- Se for derrotada por um adversário como Eduardo Cunha, (“eu agora sou oposição”) é porque não mereceria mesmo continuar. O governo do Brasil não pode valer menos que uma propina de cinco milhões. Mesmo que seja em dólares.

Marcelo Odebrecht.

Terminou ontem o prazo dado ao “minucioso” (parabéns ao Procurador do MP do Paraná pela denominação) proprietário da empreiteira mais corrupta do país. E com a corrupção mais sofisticada, planejada, e a propina mais bem distribuída no exterior.

Admite-se que sua prisão em regime fechado chegue a 15 ou 20 anos. Menos do que isso comprometeria a Justiça de Brasilia, onde o julgamento terminará.

O “ressarcimento” da roubalheira, que já está em 7 BILHÕES, poderá chegar sem dificuldade a 20 BI. Nenhuma preocupação com dinheiro. O problema, insolúvel, é a prisão e o regime fechado.

Quanto á defesa, foi entregue por volta de 7 da noite, pé uma espécie de sonata e fuga, só que sem som. Acusa Sergio Moro duramente, nega tudo. Diz que eram anotações, pensamentos e reflexos. É um filosofo, e ainda por cima incompreendido.

Até onde vai a Selic?

Amanhã, quarta-feira, depois de encerrada a jogatina da bolsa, o banco central anunciará a decisão sobre os juros. Desta vez não há unanimidade, muitas duvidas. Principalmente em relação á amortização dos juros da dívida.

Nos últimos tempos tem sido difícil atingir, no “superávit primário”, uma quantia razoável (?) para satisfazer os “credores”. A previsão até a semanada passada era de 66 bilhões. 
Reduziram para um pouco menos de 8 bilhões. Estou satisfeitíssimo. Mas eu não sou credor.

Ontem, uma admirada figura comentava: “Helio, a situação do investidor é dramática e desalentadora. O juro desnecessário sobe cada vez mais, nos joga contra o crescimento do país. Sabendo que por aí a inflação não será derrubada”.
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