Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O povo vota sem interesse, com desprezo, até com raiva. O futuro de Crivella

HELIO FERNANDES

O segundo turno foi pior do que o primeiro. Em todos os sentidos. No Rio, 48,7 por cento nem saíram de casa. Ou premidos pelo voto "obrigatório", saíram, votaram em branco, ou sua opção foi anular o voto. Dessa forma, de cada 2 eleitores, apenas 1 identificou sua vontade ou marcou seu voto.

Impossível, assim, fazer a definição arriscada que muitos comentaristas fizeram. Dando a vitoria a representantes do centro, esquerda ou direita. Os pouco mais de 50 por centro que sobraram, tendências esparsas, dificilmente identificáveis. Como avaliá-los ideologicamente?

Em Belo Horizonte, o outro município-capital cujo donatário se decidia ontem, importante geograficamente, mas não política ou eleitoralmente. Kalil não tem objetivo nem futuro, ou qualquer possibilidade de ir alem de prefeito. Exatamente o contrario de Marcelo Crivella, que representa um projeto de Poder, definido, articulado, que pretende chegar bem longe.

Esse PRB, que abriga Crivella, não é um partido qualquer. Fundado ou criado pelo Bispo Macedo, com o objetivo de fundir religião, política, comunicação, Poder, o Bispo Macedo, que fez tudo, pretendia ser o candidato a transformar isso em realidade, pessoalmente.

Tendo compreendido, que teria que ficar de fora para não escancarar as intenções, colocou em primeiro plano, o sobrinho Crivella. Só que este precisava de uma ratificação majoritária nas urnas. Eleito senador, e Ministro da Pesca, não bastava.
Consideraram então, que o mais fácil e rápido, seria se eleger prefeito. Fixado no Rio se candidatou. Saiu na frente, o projeto parecia um sucesso. Derrotado, perdeu 4 anos. Teve que repetir era a única opção. Nova decepção, mais 4 anos desperdiçados.

Ganhou ontem, na terceira candidatura. O bispo Macedo, que comanda tudo, já tem um problema praticamente insolúvel. O projeto inicial, que só se consolida com uma vitoria presidencial, continua em 2018, ou espera 2022? Essa é a grande duvida. Que só ele pode decidir.

Já vinham estudando essa questão ha meses, desde que Crivella disparou na   campanha. Mas era apenas discussão episódica. Transformada em realidade ontem. Alguns sensatos, consideram que para ser presidenciável em 2018, teria que ficar prefeito apenas 15 meses. Se desincompatibilizar em abril de 2017. Muito pouco tempo para realizar alguma coisa.

Mas os que decidem, defendem que se transforme em presidenciável imediatamente, apresentam como exemplo as campanhas para prefeito. Como têm legenda, estrutura e recursos, justificam de varias maneiras.

A sucessão de 2018 será a mais fraca de todas. E Crivella pode se apresentar com outro argumento solido: ficar na Prefeitura não era e não é objetivo final. Assim, tanto faz ficar 15 ou 48 meses. 

Dentro do objetivo que levou a fundar o PRB, ratifica a hipótese da candidatura imediata. Como tudo isto é contado com exclusividade, surpresa e inconveniência, para os candidatos de sempre, já lançados.

Lula jogou a toalha?

Desde o massacre do primeiro turno, o ex-presidente não tem saído de casa, nem recebido ninguém. Tinha certeza da derrota, mas não da forma como aconteceu. Principalmente a derrubada de todo o cinturão vermelho, domínio do PT, 
inatingido e inatingível ha muito tempo.

Mas o que atingiu profundamente Lula, foi o fato do juiz Sergio Moro ter marcado para o dia 21, o depoimento das testemunhas contra ele. Essas testemunhas, Cerveró, Paulo Roberto Costa, Paulo Pinheiro e outros, nada tranqüilizantes. 

Alguns da intimidade, sabiam que não iria votar. Quando tentavam mostrar, que repercutiria contra ele, respondia: "Para que votar se não poderei mais ser votado?". Antecipação nada otimista, até mesmo dramática. Principalmente feita por ele mesmo.

A Síria é aqui

Noticia que não gostaria de publicar, comentário que faço de forma lancinante. E que me faz sofrer desde o momento em que coloquei o titulo. Rigorosamente verdadeiro. A guerra civil que destrói esse país, completa 4 anos. Dados fornecidos pela ONU, comprovam: já morreram 415 mil pessoas. Fora centenas de milhares de feridos ou desabrigados. Alem de 11 milhões de refugiados.

Já nas ruas ou até dentro de casa, o Brasil, que "vive na mais completa tranqüilidade", (royalties para o presidente indireto), nos mesmos 4 anos, teve 479 mil pessoas ASSASSINADAS. De forma covarde, cruel, indefensável. È uma comparação inexplicavel. Pior ainda: pelo menos metade dessas mortes, foram praticadas friamente pela própria policia. Sem nenhuma punição.

O feriado protege Renan

A pauta do Supremo de amanhã, quarta feira, foi transferida para quinta. È que amanhã é feriado universal, pelo Dia dos Mortos. O ainda presidente do Senado continuará hierarquicamente vivo. Se Renan Calheiros for salvo apenas por causa do feriado, nada de mais grave. 
O pior é que ele continua se movimentando, para que a sucessão "suja", só seja limpa a partir de fevereiro de 2017. Não acredito. Mas já vi tanta coisa estranha e extravagante, que mais essa, nenhuma surpresa. 

Petróleo, PIB, Taxa Selic

Durante 5 dias seguidos, o barril de petróleo em Nova Iorque, ficou em 50 dólares. E em Londres, 51. Ontem em Nova Iorque caiu para 47 e em Londres para 48. Lá se vai o otimismo. O PIB que era previsto fechar 2016 em menos 3,1, tem previsão mais pessimista: 3,2.

O superávit primário (amortização e não pagamento de juros, como dizem alguns tolos), em setembro, acumulou 26 bilhões. A expectativa e a necessidade, muito maiores. O "mercado", decepcionado, reclama. Quanto á queda dos juros, o BC insiste numa cautela suicida. E retrocesso visível.

Anistia para o Caixa 2

Deputados, senadores, ministros, e o próprio presidente indireto, preocupadíssimos com a Lava-Jato. Com o conhecimento e apoio de Temer e Rodrigo Maia, o presidente Renan Calheiros procurou aprovar um projeto sem autoria. Por causa da hora da tramitação e da tentativa de silencio, foi rotulado de "projeto da madrugada". Foi descoberto, naufragou.

Agora, querem ressuscitar o "projeto da madrugada", em emenda constitucional. Motivo: na iminência da terminação da delação de Marcelo Odebrecht, entraram em desespero. Consideram que a delação não surgirá ainda neste 2016. E a PEC, apesar de precisar de duas votações na Câmara e duas no Senado, será aprovada até por unanimidade. E não pode ser revogada, nem ser atingida por recurso ao Supremo.


As conversas estão caminhando com pleno sucesso. Quase todos os partidos serão atingidos. E o governo, chefiado pelo presidente indireto, tem todos os motivos para se manter inseguro. O pessimismo da semana passada, se transformou em otimismo.
ANÁLISE & POLÍTICA
ROBERTO MONTEIRO PINHO


Crivella um prefeito diplomata por excelência

As pessoas mais próximas do prefeito eleito pelo Rio de Janeiro, Marcello Crivella, afirmam que o bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, é um diplomata por excelência. Descendente de imigrantes italianos e de migrantes nordestinos após ter seu ministério aprovado, chegando a Bispo na sua Congregação. Trabalhou por dez anos como missionário em países da África. É Engenheiro Civil, e inspirado no aprendizado quando esteve em Israel, desenvolveu um vitorioso projeto de terras produtivas na cidade de Irecê na Bahia. É cantor gospel e pelo sucesso do titulo “O Mensageiro da Solidariedade” (vendeu 1 milhão de cópias) foi laureado com o “Disco Diamante”.

Na política

Marcelo Crivella nas eleições de 2002 foi eleito senador da República para um mandato no período 2003-2011. Disputou e perdeu, o governo do Rio de Janeiro em 2006 e 2014 e prefeitura da capital em 2004, 2006 e agora em 2016 conquistando o cargo. Em 2005 deixou o Partido Liberal e fundou o Partido Republicano Brasileiro (PRB). O seu maior revés foi na disputa pela prefeitura em 2008, quando ficou no terceiro lugar. Três anos depois se reelegeu senador, para um mandato que termina em 2019. Foi ministro da Pesca no governo Dilma, mas deixou a pasta em 2014 “para fugir dos respingos” quando pressentiu o desastre da sigla petista.

Freixo sem pegada

No comício da Cinelândia Marcelo Freixo, derrotado fez seu pronunciamento, alguns medalhões do PSOL não queriam que a agremiação fosse exposta. Seu discurso destilou um fundo de frustração, demonstrando que tinha a convicção que se elegeria. De toda forma foi derrotado por um candidato com um dos melhores históricos político e socialista do país. Portanto nada a reclamar. Para muitos faltou para Freixo no segundo turno: “pegada”.

Em 2018 o partido fará alianças?

O candidato do PSOL teria que ter ido mais alem do que martelar que preside a “CPI das Milícias”. Nem mesmo o filme “Tropa de Elite 2”, personificado pelo ator Felipe Farias, o credenciou a ser o mais votado. Por outro lado sua assessoria falhou grosseiramente quando concentrou seu foco em acusações. Muitas inócuas, inoportunas e até rançosa. Tido como sectário, o candidato sucumbiu por si mesmo. Uma ala minoritária, já pensa em lançar um candidato a governador em 2018. Este terá quer ser aglutinador e aberto ao diálogo. Querem quebrar o trauma da perda em majoritárias, abrindo o partido para alianças, com isso ir mais alem dos votos de “estudantes”, pilotado por professores nas universidades.

Legenda é a sombra do PT de 80...

Analisando o comportamento das urnas no mundo inteiro, a maioria dos eleitores tende a votar em candidatos mais moderados, tanto à esquerda quanto à direita.

Refúgio e clone do PT de 80, leia-se uma alternativa de esquerda ao PT, o PSOL não tem o “sapo barbudo”, que Brizola estigmatizou em Lula da Silva, mas tem guetos ruidosos, que rosnam a tudo e a todos, tipo aquele PT avesso ao diálogo, mas que aceitou à mudança para a moderação que permitindo a eleição de Lula."

O PT. O efeito Dilma e eleição que foi uma lastima...
Em 83 capitais e grandes cidade o histórico Partido dos Trabalhadores (PT), fundado e emoldurado por Luiz Inácio Lula da Silva, ficou com apenas 1 cidade – Rio Branco, no Acre. No total, o PT foi de 638 prefeitos eleitos em 2012 para 254 neste ano - de 11,2 milhões de eleitores sob sua gestão nas cidades, a apenas 1,6 milhão. No final de tudo, o efeito Dilma, acabou por fulminar as bases do partido.
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O PSDB se consagra

 

O segundo turno consagrou a legenda de FHC repetindo a performance da primeira eleição. O PSDB emergindo como a principal força nas urnas. Os tucanos administravam 18 cidades do G-83, o grupo das capitais e cidades com mais de 200 mil eleitores, e passarão em 2017 a ter o comando de 28. O PSDB venceu 14 dos 18 segundos turnos que disputou. Será ainda a sigla a administrar o maior número de eleitores nas cidades (13 milhões) e a maior quantidade de capitais: 7.

O PMDB resiste...

O PMDB, partido do presidente Michel Temer, manteve a liderança no total de prefeituras (1.021 em 2012 e 1.038 em 2016), mas administrará menos eleitores (9,5 milhões para 8,1 milhões). O maior partido do país melhorou seu desempenho no grupo do G-83: 10 para 14 cidades, e conquistou quatro capitais (tinha duas): Boa Vista, Goiânia, Florianópolis e Cuiabá. Das 15 cidades em que a legenda estava nas urnas no segundo turno, venceu em nove.


Eleitor responde com abstenções, brancos e inválidos


Agora os analistas políticos vão debruçar sob os altos índices de votos brancos, nulos e abstenções. Ao todo, 25,8 milhões de eleitores compareceram às urnas neste domingo, entre 32,9 milhões aptos a votar. Não votaram, portanto, cerca de 7 milhões de pessoas - índice de abstenção de 21,5%. No Rio de Janeiro, a abstenção chegou a 26,8% (1,3 milhão de pessoas) e houve 569,4 mil votos nulos. A desconfiança, a onda de escândalos envolvendo a classe política, e a insegurança jurídica, vista na mais alta Corte do país o STF, é o mais forte ingrediente para a reação popular.

 Lula não saiu de casa

A turma do Instituto Lula informou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não votou no segundo turno das eleições municipais. Será a primeira vez que o petista não comparecerá às urnas. A pesar de justificar ter mais de 70 anos de idade. 

O fraco desempenho do PT nas eleições, em especial em São Bernardo do Campo, cidade da Grande São Paulo, sequer reelegeu o filho vereador, justamente onde o petista reside e começou sua carreira política. Tarcisio Secoli, apoiado por Lula, ficou em terceiro lugar na disputa para prefeito no primeiro turno, realizado no último dia 2. Ele teve 84.768 votos, o equivalente a 22,57% do total.  A cidade é governada desde 2008 pelo petista Luiz Marinho, que é afiliado político de Lula e foi ministro da Previdência Social e do Trabalho.
Afinal porque os políticos insistem num segundo turno eleitoral?
Gastos são astronômicos
Para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o custo das eleições municipais de 2016 foi de R$ 650 milhões (em 2012 foi R$ 483 milhões) ao todo o país desembolsou R$ 1,1 bilhão para realizar as eleições, onde votaram analfabetos, menores de 18 anos e presidiários. No entanto há controvercias, estimadas de que foram gastos R$ 3 bilhões. Números oficiosos apontam o dobro do divulgado, e levando em conta os gastos de campanha, o país joga ao relento do “vocês não nos representam”, bilhões de reais.

Eleição com custo zero...

Guardo aqui o bom exemplo do meu filho quando se candidatou a prefeito na primeira serie do seu colégio. Ele não gastou um centavo. Urnas de papelão, cédulas Xerox (devidamente rubricadas pelos mesários). Tudo pelo bom direito do voto, inclusive fiscais de quatro candidaturas. Todo material doado pelos pais e amigos. Custo zero. Detalhe: ele se elegeu. Precisamos aprender com esses garotos, (pensei). Mas não é isso que ocorre, a cada eleição o custo aumenta.

Dia 9 de novembro é o dia “D” da terceirização no STF

A polêmica questão da terceirização será julgada pelo STF no dia 9 de novembro. O caso a ser analisado é o Recurso Extraordinário 958.252, que teve a repercussão geral decretada no ARE 713/13.211 e é relatado pelo ministro Luiz Fux. Para quem não sabe a Terceirização não tem legislação específica no Brasil. O próprio presidente do TST, ministro Ives Grandra Martins Filho, defende a regulamentação da terceirização. “Não adianta ficar com briga ideológica de que não pode terceirizar na atividade-fim, só meio. Não existe mais a empresa vertical, em que você tem do diretor ao porteiro, todo mundo faz parte do quadro da empresa. Hoje, você funciona com cadeia produtiva. A gente precisa urgentemente de um marco regulatório, disse a um jornalão.

Greve dos servidores é ilegal

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu no dia 27 de outubro, por 6 votos a 4, que o poder público deve cortar os salários de servidores em greve. A sentença tem repercussão geral e obriga todos os tribunais do país a adotarem o entendimento da corte sobre esse tema. A maioria dos ministros acompanhou o entendimento do relator, Dias Toffoli. Para ele, não deve haver descontos somente nos casos em que a paralisação for motivada por quebra do acordo de trabalho por parte do empregador, com atraso de pagamento dos salários, por exemplo.
Justiça do Trabalho ainda na “berlinda”
As declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes de que o Tribunal Superior do Trabalho “desfavorece as empresas em suas decisões” e que há um aparelhamento da Justiça do Trabalho por “segmentos do modelo sindical" não foram bem recebidas na corte trabalhista. Na sexta-feira (28/10), 18 dos 27 ministros do TST encaminharam ofício à presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, manifestam “desconforto profissional e pessoal” sobre o episódio. Para os ministros, as declarações de Gilmar são injustas e “decerto fruto de desinformação” ou “má informação”.
O documento do desespero

Os ministros também repudiam as conotações de parcialidade em desfavor do capital que Gilmar Mendes atribuiu aos TST. O ofício diz ainda que o teor das declarações não eleva e em nada modifica as instituições, desprestigiando e enfraquecendo o Poder Judiciário e cada um de seus juízes. “O limite da autoridade, máxime judiciária, em qualquer nível, repousa na lei e na razão. O respeito, a tolerância e o juízo devem pautar as relações entre as instituições e as pessoas em uma sociedade civilizada, até por uma imposição da inteligência”, ressaltam no documento.
A fila anda 

FERNANDO CAMARA

A festa acabou. O PT vai tentar juntar os cacos, mas está atordoado e mal sabe por onde começar. Lula está atolado em denúncias, que brotam todos os dias feito água em cachoeira. Sítio em Atibaia é para os fracos. A PF vem investigando um certo chalé (chalé? ) em Punta Del Leste, no Uruguai, para onde seu filho já se aninhou. Tudo vai ficando cada dia mais nebuloso.

Com o fim das eleições nos municípios, o eleitor traduziu em números sua absoluta insatisfação com o quadro político vigente.

Não se fala em outro assunto, a não ser o baixíssimo desempenho eleitoral do PT em 2016. Havia de se esperar cenário diferente? Nem o cinturão vermelho, composto pelas cidades no entorno de São Bernardo resistiram. O resultado feriu o PT, e Lula consequentemente, de morte.

Votos em Ninguém

É imperativo refletir sobre o fato de, nesta eleição, a quantidade de votos que se identificam com o protesto ou com o nada.

No Rio de Janeiro

1.314.950 abstenções
569.536 nulos
149.866 brancos
2.034.352 Total de votos em desperdício
Crivella 1.700.030
Freixo   1.163.662

Freixo ficou em 3o lugar. O primeiro foi dos nulos e brancos, em segundo Crivella.

Mariano Marcondes Ferraz ficará preso

Enquanto o País se debruça sobre as comemorações dos resultados da eleição, o juiz Sérgio Moro e a Força Tarefa tocam os trabalhos de investigações, seguindo o DINHEIRO. E foi assim que prenderam o executivo da TRAFIGURA.

A Trafigura fatura mais de 125 bilhões de dólares por ano, é a terceira traiding em faturamento no mundo, maior do que a Cargill e do que a Bünge. Tem negócios no Brasil nos setores de petróleo, mineração, logística, portos, granéis e outros. Moro seguiu o dinheiro e achou 800 mil dólares de Mariano Trafigura nas contas de Paulo Roberto Costa. Achará mais 2,4 milhões de dólares. E, se seguir a partir de agora os dinheiros da Trafigura, achará mais propinas em contas de outras autoridades.

O empresário Mariano, de família tradicional do Rio de Janeiro, ficará na lista negra da Força Tarefa da Lava Jato.

Renan, o destemperado, mas todos estavam errados

O presidente Renan Calheiros carregou no verbo para qualificar o juiz de primeira instância que expediu mandado de prisão e de busca e apreensão no Senado. O juiz estava errado; exagerou  ao não encaminhar a Ação para o STF, fórum adequado para esta intervenção.

O MPF errou em solicitar a intervenção sem considerar a competência do Fórum. A PF errou ao aceitar tal ordem sem questionar a autoridade do magistrado.

Errou a Polícia Legislativa quando deixou de tomar uma atitude imediata no momento em  que recebeu em seu território de atuação e de competência a PF.

Errou a ministra Cármen Lúcia em comentar publicamente o fato, quando externou a sua opinião.  O ministro Teori, demorou em analisar e a sentenciar o ato.

Erra o STF em manter a prática de postergar, por anos, o julgamento de ações e de dar seguimento a inquéritos que envolvem os altos comandantes da Nação.

ECO

Se eu fosse o Renan, escreveria a função de todos usando o diminutivo ECO (juizeco, ministreco, procuradoreco, delegadoeco, policialeco) para todos.
Renan encontrou apoio entre os parlamentares, mas sabia que este episódio da adjetivação não daria em nada.

Fórum Privilegiado

O Fórum Privilegiado tem sentido bastante quando é posto para preservar o funcionamento dos Poderes. Considerando-se que existem mais de mil varas federais, caso todas elas recebessem denúncias contra as autoridades e estas fizessem carga, não haveria tempo nem um número de advogados que dessem conta de atender a demanda.

Assim, o legislador resolveu concentrar no STF as investigações das autoridades de congressistas, que se transformou em privilégio,  pois o STF não foi dotado de condições e equipamentos para dar sequência às investigações. E assim elas ficam engavetadas.

Caixa 2

Essa semana entra em pauta o que tem tirado o sono de 11 entre 10 políticos em Brasília: flexibilizar ou não o Caixa 2. Diante do que pode vir por aí, articula-se no Planalto um plano para anistiar o Caixa 2. Antes resistente, tudo indica, agora, que até Rodrigo Maia estaria disposto a trabalhar por isso.

Nenhum parlamentar assume publicamente a emergência do caso, mas em off, quando a luz apaga, é evidente a preocupação e urgência com que irão tratar o caso. Resta saber como a sociedade vai reagir.

Executivos da Odebrecht Executam

Dentro de alguns dias a Delação Premiada dos executivos da Odebrecht irá mudar completamente o cenário político brasileiro. Será democrática, contemplará a todos os partidos.

Portas fechadas

Até aqui o comportamento dos prefeitos eleitos era padrão. Fechadas as urnas, batiam às portas de Brasília para buscar recursos. Com o GF sem dinheiro e as prefeituras em estado lastimável em todos os sentidos, será muito difícil o cumprimento de tantas promessas.

Os prefeitos vão precisar muito mais do que criatividade se quiserem realmente extrair desse resultado algum efeito para suas carreiras no futuro.

Invasão nas escolas: negligência, leniência ou omissão do poder público?

Nenhum dos envolvidos entendeu até agora que os direitos de uns começam quando acaba do outro. A quem mais interessa o fechamento dessas escolas? Por que os pais, mesmo contrários, permitem que seus filhos se mantenham confinados? Por que os sindicatos e associações metem tanto medo no governo?

Ocupações. A sociedade aguarda as respostas.

Informações veiculadas pela mídia apontam mais de 1.000 ocupações. Os estudantes, que não leram e não gostaram da PEC 241, batizaram o movimento de primavera secundarista.


domingo, 30 de outubro de 2016

Nenhum réu pode pretender a presidência da Republica

HELIO FERNANDES

A reunião dos presidentes dos Três Poderes, foi inócua. E só aconteceu por causa da nobreza de Carmen Lucia. E do medo de Michel Temer em relação á votação, no Senado, da PEC dos gastos, também conhecida como PEC do desgaste. E Renan nisso tudo? Foi ele que começou a divergência, com o que chamei de provincianismo primário e sem grandeza 

Duas horas vazias, ninguém querendo usar a palavra. Durante a sessão, um momento de ridículo e subserviência. O medíocre Ministro da Justiça deu a volta na mesa, e foi apertar a mão de Renan. Para agradecer o fato de ter sido chamado de "chefete de policia", identificação rigorosamente verdadeira.

Carmen Lucia, em silencio praticamente o tempo inteiro. Também sem palavras,recusou o almoço, deixou o recado, que nem precisa de analise:" Compareci por dever de oficio. mas nosso encontro termina aqui. Para almoço descontraído, tenho melhores companhias". E foi embora.

Mais tarde, tentando reconquistar o protagonismo, o presidente do Senado, ainda, fez elogios abertos á presidente do Supremo. Não foi ouvido nem notado. Está sempre voltado para ele mesmo.

Depois de amanhã reafirmação da linha sucessória

Na pauta da sessão do Supremo, recomposição da linha da sucessão 
presidencial. Como conseqüência da conspiração parlamentar, o vice subiu para presidente da Republica. E o Presidente da Câmara substitui o presidente, em viagens. Digamos que haja um atraso numa volta, ou outro impedimento, assume o Presidente do Senado. Já aconteceu, mas nenhum se chamava Renan Calheiros. Nem tinha o seu passado e presente.

Não existe uma possibilidade em 1 milhão, de chegar à vez de Renan como substituto. Faltam menos de 90 dias para entregar o cargo para Eunício Oliveira. Mas cabe ao Supremo refazer a hierarquia do Poder. Não só por obrigação constitucional, mas também para manter a credibilidade de uma possível sucessão. E confirmar o princípio de que REU não pode chegar a Presidente da Republica.

Renan Calheiros se movimenta de todas as maneiras, para que o Supremo não decida a questão na quarta feira. Tenta deixar a decisão para depois do recesso de Natal e Ano Novo.Quando voltar, já haverá a eleição, que será em 1 de fevereiro.O Supremo não pode fazer concessão, principalmente numa questão que favorece um personagem indiciados 9 vezes no próprio Supremo.

 Renan é processado desde 2007, foi o primeiro parlamentar a ser patrocinado por uma empreiteira roubalheira. Outra tentativa de Renan, se não conseguir adiar a pauta de quarta feira. Pretende que um Ministro "peça vista", traria o processo em fevereiro. 
Dificilmente, praticamente impossível. O mais certo, é que na quarta feira, Renan deixe de ser presidente do Supremo. Assumiria sem problemas, o vice Jorge Vianna. O próprio Renan apregoa: "Mas ele é do PT". Qual o problema?

Lula pode virar REU este ano. Não federalizaram a eleição municipal

Grande preocupação do ex-presidente, e do PT em massa. O juiz Sergio Moro, marcou o depoimento das testemunhas do ex-presidente, para o dia 21 de novembro.  Como o Ministério Publico fez graves acusações e muita carga contra Lula, vai depender do que disserem as testemunhas. O destino dele dependerá da credibilidade e profundidade do que for dito e comprovado.

O suspense no PT, é enorme. E a preocupação do próprio Lula, total. Acreditam que Moro não condenará Lula sem ouvi-lo. Embora isso tenha acontecido com muitos acusados. Mas nenhum era ex-presidente da Republica. De qualquer maneira, a duvida no partido é imensa. Para agora e conclusivamente para 2018.

O PT não acabou, mas precisa de tempo pra se reformular, se modificar, se reinventar. Só que o partido ocupou o poder durante 14 anos, não se renovou pessoalmente. Abandonou as ideias que o levaram ao governo, mas acreditou que Lula era eterno, e Dilma "Salvação da Lavoura". Nada aconteceu, e agora para 2018, o PT não tem ninguém para a corrida presidencial.

Apenas para preencher formalidade, Haddad por ser de São Paulo. E Tarso Genro, ex-ministro e ex-governador, realmente um bom quadro. Mas não pensa em candidatura e sim em reformulação. E as duas coisas precisam de tempo. Mas 2018 está muito perto. Genro aceitaria ser candidato sem chance agora para facilitar a mudança total. Mas se tiver a legenda garantida para 2022.

O PT não acabou, nenhuma legenda se fortaleceu

Quem fez a previsão desastrosa, foi à carreirista Marta Suplicy. Ela não é tratadista para ser citada, e acabou antes do PT. Lula se fartou de dizer, antes, durante e depois de ser Presidente: "Fundei o maior partido de esquerda da America Latina". Rigorosamente verdadeiro.

Candidata a prefeita sem votos, precisava explicar porque mudara do PT para o PSDB-PMDB. Menos mudança, mais excrescência. Ajudou a derrota, quinto lugar entre 5 candidatos, com a afirmação: "Em 33 anos no PT, jamais deixei ENTREVER que era de esquerda". E ainda acreditava que podia ganhar eleição, com esse discurso eleitoral e pessoalmente ultrajante.

Impressionante. Lideres de partidos, e comentaristas que se pretendem bem informados, chegaram á mesma conclusão: "A eleição municipal que terminou ontem, exercerá grande influencia na disputa presidencial de 2018". Nada mais distante e disparatado. 

Os supostos ou hipotéticos personagens que pretendem o Poder em 2018, ficaram longe do vencedor. Com uma restrição ligeira para o governador Geraldo Alckmin. Elegeu no primeiro turno um candidato "não político". E apesar desse fato, se confirmou como candidato "não partidário".

Tem legenda á disposição (o PSB), mas terá que sair de onde disputa eleição desde 1994. Incluindo uma presidencial. O PSDB terá 3 candidatos, como fartei de analisar bem antes da eleição municipal. Precisamente os 3, que unidos, perderam as quatro ultimas presidenciais. Agora, desunidos, pretendem o quê?

Os outros, quase os mesmos. Aécio acredita que tem a legenda garantida, apesar das derrotas "em casa". O PMDB tem um candidato, que chegou ao Poder sem eleição. O jornalista Jorge Bastos Moreno,que estreava um programa de entrevista na TV,perguntou:"O senhor disputará a reeleição?" 

Resposta, com o sorriso dúbio de sempre: "De maneira alguma. Chegar até aqui, já foi uma vitoria. Sou candidato a salvar o país". Se no projeto político não acabarem com a reeleição, fará tudo para ser candidato. Isso se Gilmar Mendes conseguir salva-lo no TSE.

Dois candidatos certos, sem a menor chance de vitoria. Ambos com duas derrotas: Dona Marina da Rede e José Serra com uma legenda de ultima hora. Aos 76 anos, encerrará a carreira com a terceira campanha presidencial.

A titular da Rede, fenômeno ou incógnita, estará presente pela terceira e ultima vez. Na primeira, apareceu com 20 milhões de votos, um assombro.

Qualquer um administraria essa montanha de votos. Ela desapareceu, tem horror a participação. Só voltou para a segunda disputa, acumulou 18 milhões. Está reaparecendo agora para a despedida. Impossível prever sua votação. Este é o
quadro presidencial para 2018. Nenhuma alteração, a não ser as do destino, imprevisíveis. E até mais sabias do que a realidade de hoje.

Segundo turno desnecessário, quase inútil

Nenhuma novidade, renovação zero. O melhor exemplo veio de Curitiba. Às 17,25 Rafael Greca, era considerado vencedor. Velocidade na apuração, retrocesso na constatação. Já foi prefeito medíocre, se notabilizou na campanha, pela afirmação: "Dei carona a um pobre, tive que vomitar de tanto que cheirava mal".

5 minutos depois, Nelson Marchesan filho, confirmava a vitoria em Porto Alegre. Ótima noticia. Conheci o pai, deputado federal, excelente figura. No primeiro turno, a melhor vitoria, (79 por cento dos votos) veio de Salvador, com a reeleição de ACM neto. Não pela vitoria, mas pela projeção para o futuro.  Aos 37 anos, o partido queria que ele disputasse outro cargo, para liderar o DEM no plano nacional. Recusou, respondendo: "Quero completar o trabalho que comecei, com 41 anos pensarei no futuro". Competência, desambição e sensibilidade.

O PSDB, perdão, Aécio Neves, que perdera o governo de Minas, perdeu também a Prefeitura. Inexplicável para ele e para o eleitor. Que elegeu um candidato, que afirmou na televisão: "Eu roubo, mas não peço propina". Em Belém, o candidato do PSOL era favorito, por causa do prestigio do senador Randolfe. A ultima hora fizeram acordo com a família de Jader Barbalho, perderam a eleição.

Às 6,32, Crivella comemorou a vitoria. Ganhou do principio ao fim. Liderou em todo o primeiro turno, nas pesquisas, confirmou na votação. Derrota irreversível para a cidade e para toda a população. Faltou interesse e convicção. 

Reviravolta completa em Florianópolis. Angela Amin, que já foi excelente prefeita, ficou longe no primeiro turno, e nas pesquisas. Na apuração, acumulou votos e quase ultrapassou o adversário. Perdeu por 50,04, contra 49,06. Uma pena.

Em Macapá a Rede teve a única vitoria, por causa do senador Randolfe. Foi á forra de Belém.

PS- Foi a ultima eleição direta deste 2016. Agora só em 2018, provavelmente sem muita alegria para o cidadão brasileiro.

PS2- È possível que haja um novo presidente indireto, no inicio de 2017, Se o TSE cumprir o seu dever e cassar a chapa Dilma - Temer. Nenhuma satisfação popular por eleição sem povo.  A culpa será do TSE, presidido pelo Ministro Gilmar Mendes.


Sustentamos um judiciário hostil e ineficaz
(...) O custo/justiça é hoje o maior dano do governo federal. Isso reflete na opinião internacional, que teme pela péssima qualidade da nossa justiça, principalmente a trabalhista que vem de forma hipócrita açodando toda relação de emprego”.

ROBERTO MONTEIRO PINHO                             
Não podemos mais sustentar barnabés e juízes a preço de “ouro”. A nação não suporta tamanho gasto com um judiciário ineficaz, moroso e insolente. A grande verdade é de que os poderes de justiça já não se suportam, desde o primeiro grau a alta Corte do país.
Administrar uma justiça com 55 mil artigos, enunciados, súmulas e atos administrativos, é impossível sob todos os aspectos. O excesso de leis provoca o caos e a insegurança jurídica, e remete para o Supremo Tribunal Federal – STF, toda sorte de equívocos. A pauta da Corte está congestionada até 2020, e tão cedo não estará desafogada.
Com isso o contribuinte-cidadão, é refém de um sistema que comprovadamente não funciona. O custo/justiça é hoje o maior dano do governo federal. Isso reflete na opinião internacional, que teme pela péssima qualidade da nossa justiça, principalmente a trabalhista que vem de forma hipócrita açodando toda relação de emprego.
Agora vem a PEC 241, e não seria nada demais, se o âmago do projeto estivesse inspirado na realidade necessária, até mesmo para sua melhor viabilidade. A grande e inquietante dúvida é: “Se as metas não forem cumpridas, o que aconteceria?”. Há muito tempo o executivo estatal vem dando mostra de fragilidade, tanto que nos planos econômicos, todos se constituíram em desastre.
Nosso parque industrial envelheceu e data de 30 anos, sem que uma inovação, ou renovação, fosse implementada. Na ponta deste segmento secundário, a indústria automobilística, já perdeu seu rumo, agoniza e fragilizada com as cotas fiscais, um verdadeiro acinte ao incentivo da produção. O governo não sabe gastar, não sabe cobrar, fiscalizar e ainda não permite que empresas geradoras de empregos, possam trabalhar.
O lema é; “Até prova em contrário, todos são sonegadores e todos devem pagar”. Mesmo se não dever? Então toma de impostos altos! E quer dinheiro barato? Procure um corretor e bata na porta do BNDES.
Nas redes sociais desde que o governo Michel Temer apresentou a Proposta de EC (PEC) 241, sob argumento de amenizar o rombo nas contas públicas, a pergunta é: se vamos cortar verba da saúde e educação, porque não cortar primeiro dos políticos, juízes e dos funcionários públicos?
No dia 25, o texto foi aprovado em segundo turno pelo plenário da Câmara e agora segue para o Senado. Ele estabelece um teto para o crescimento das despesas públicas federais por 20 anos e tem recebido muitas críticas por alterar o financiamento das áreas da saúde e educação.
A PEC traumatiza os funcionários do Legislativo, Judiciário e do Executivo, além dos órgãos públicos? O problema é que segundo a proposta: caso o limite de gastos seja descumprido por um Poder (Executivo, Legislativo e Judiciário) ou órgão, o mesmo não poderá conceder aumentos para seus funcionários nem realizar concursos públicos. Outras sanções são impedir a criação de bônus e mudanças nas carreiras que levem a aumento de despesas.
De acordo com os especialistas, existe a possibilidade de que, com a aprovação da proposta, os funcionários públicos deixem de ganhar reajuste e não tenham suas remunerações corrigidas pela inflação por vários anos - mesmo com o cumprimento do teto.
Para os entrevistados, a proposta pode levantar uma discussão sobre privilégios e distorções no funcionalismo.  Um levantamento realizado pelo professor Nelson Marconi mostrou que empregados da área pública ganham mais do que os da iniciativa privada em todos os níveis de escolaridade.
Entre os que têm ensino médio, por exemplo, essa lacuna era em média 44% no ano passado. A estabilidade no cargo, diz a economista-chefe da XP Investimentos Zeina Latif, também seria um ponto a ser discutido. Ela argumenta que, ao ter essa garantia, o funcionário deveria começar com um salário mais baixo, para estimulá-lo a se desenvolver. Segundo Latif, uma saída seria adotar valores do setor privado como a "meritocracia e a concorrência". Essas práticas, ela diz, já estão presentes em países como Dinamarca, Reino Unido, Suíça e México.


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Deputados e senadores agem nos bastidores, comandados por Renan

HELIO FERNANDES

Não existe crise institucional. E sim pessoal, passional e de sobrevivência. Levou meses para explodir com o estrondo de agora, por causa da demora do depoimento de Marcelo Odebretch e 50 executivos da Odebrecht. Era do conhecimento de muita gente: ninguém sabia tanto quanto ele. E nenhuma empresa foi tão importante e comprometida com a coordenação.

Tudo documentado, departamentos autônomos no Brasil para manipular a corrupção. Nenhuma empresa foi tão cuidadosa e aparelhada.

No exterior, organização vasta e custosa, que controlava e efetuava os pagamentos, sempre em moeda estrangeira. Dólar e euro. E com funcionários com total autonomia para avaliar e pagar, o que consideravam que os corruptos mereciam. Nunca houve reclamação. Quando ha mais de 6 meses, Marcelo, assessorado pelo pai, Emilio, resolveu contar o que sabia, satisfação geral em Curitiba.

Por que então o acordo demorou tanto? Marcelo queria imunidade total, sabia melhor do que ninguém, a mercadoria que tinha para entregar. A equipe da Lava jato, dizia, "podemos até concordar, mas queremos comprovação da importância do material que receberemos".

Essa negociação foi naturalmente demorada. Delegados e Procuradores, queriam provas antecipadas. Marcelo resistia, garantia que tudo o que acontecera, fora gravado, filmado, fotografado. Mas só mostraria com o entendimento, aceito pelos dois lados. Quando concordou em mostrar, digamos "1 por cento do que tinha”, ganhou a confiança de todos.

E quando o pai fez a proposta de colaboração de "50 executivos", as resistências terminaram. Começaram as conversas e a apresentação dos documentos. À medida que iam caminhando, o assombro da equipe ia aumentando. Ninguém fora de lá, soube de qualquer coisa concreta. 

Também não houve vazamento. Mas conhecendo a importância da Odebrecht, que pagava a todos, concluíram: "Mais de 200, entre políticos, diretores, funcionários da Petrobras, ministros, seriam denunciados".

Renan assume o da resistência

Deveria ser do presidente da Câmara, mas Eduardo Cunha estava muito desgastado. Era mais intimo e apaniguado de Temer, já havia vencido a batalha do impeachment de 17 de abril, resistiu. Temer convenceu-o com promessas, e com a constatação: "O processo agora vai para o Senado, o Renan não é confiável. Mas você não será esquecido".

O presidente do Senado não teve a menor importância no impeachment. Mas apoiado pelo presidente ainda provisório, foi agindo lateralmente. Conquistando a confiança dos mais diversos acusados na lava-jato. Pois todos os movimentos e ações de Renan significavam represália e enfrentamento da lava-jato. E cada vez com mais audácia e arrogância.

O primeiro movimento aberto, foi "desenterrar” o projeto, que estava no congresso desde 2009. Desabrida e despudoramente chamou de "abuso de autoridade". Era abertamente contra a Lava-Jato, mas tão agressivo, que foi recusado e desautorizado pelos próprios beneficiados. Renan ficou surpreendido, mas não abandonou o combate.

Com a cumplicidade de Temer, (que viajava) e de Rodrigo Maia, manipulou um projeto, "sem autoria conhecida", rotulado de projeto da “calada da noite". De madrugada, seria aprovada a ANISTIA para os que usaram dinheiro sujo em campanhas eleitorais. Ia ser aprovado sem discussão, dois ou três deputados protestaram, a manobra espúria foi derrubada sem votação.

Temer e Maia fingiram que não sabiam de nada. O Secretario Geral Beto Mansur,  assustado, passou recibo, confessou: "Não tenho nada com isso, me deram o projeto, mandaram colocar na pauta, nem li". Era a segunda derrota.  

Reeleição de Renan, e de Rodrigo Maia

Sempre nos bastidores, um movimento, que serve a muita gente. Aos dois citados, que continuariam mais 2 anos como presidente do Senado e da Câmara. E do presidente indireto, entusiasmado. Está tendo problemas para encontrar um substituto para Maia. Este deu duas entrevistas de meia hora cada, (na Band News e na Globo News), gastando todo tempo elogiando e apoiando Renan.

Enquanto a ação de bastidores continuava, inesperadamente surgiu a questão das ilegalissimas "varreduras". Abusou da arrogância, criou caso desnecessário. 
Agora está sem saída, em conflito com o judiciário. Sem que ninguém soubesse, como a pauta do Supremo é organizada com muita antecedência, foi colocado um assunto atualíssimo, que atinge em cheio o próprio Renan.

Na primeira quarta feira de novembro, a próxima, o Supremo examinará, quer dizer, APROVARÀ: deputado ou senador, que seja REU, não pode figurar na hierarquia sucessória. Justo. Democrático. Republicano. Não atinge Renan, que não é nada disso, responde no supremo a 9 processos.

Desemprego aumenta

Em plena euforia do governo, os que não conseguem trabalho, aumentam mês a mês. Quando o desemprego passou a ser anunciado em números e não em percentagens, estarrecimento geral. Muitos não acreditaram que os sem emprego, fossem 12 milhões, realmente inacreditável.

Só que setembro fechou com 12 milhões e 400 mil. E economistas independentes, afirmam: "Antes de começar a haver emprego, o numero chegará a 13 milhões". Enquanto isso, o Ministro Meirelles, incurável otimista vazio, não para de repetir: "Os empresários estão reconquistando a confiança". Então, por que não retomam o investimento? Confiança sem investimento e emprego, é igual a zero.

Barril de petróleo

Ha 15 dias seguidos, está valendo 50 dólares em Nova Iorque e 51 em Londres. Ha 3 meses me disseram de lá: "2016 fechará entre 65 e 70 dólares". Estava em 38, não acreditei. Mas publiquei é a minha obrigação. Continuo sem acreditar. Mas também não tenho explicação, para o fato de não cair nem subir.

PS- O caso criado ao mesmo tempo pela arrogância e o primarismo provinciano de Renan Calheiros, não está encerrado. E o senador não foi vitorioso, como disseram alguns apressados comentaristas de TV.

PS2-O Ministro Zavascki SUSPENDEU a ação, pedindo que lhe enviassem todos os dados sobre a questão. Fará então seu relatório, que submeterá ao plenário. Haverá então o exame coletivo. E pelo menos ficará esclarecido definitivamente, o que a Policia Legislativa, pode ou não pode fazer.

PS3- a decisão não está mais com o presidente do Senado. Ele vai cumprir o que o Supremo decidir. E poderá responder ao Conselho de Ética, o que jamais imaginou.
  
PS4- Quanto á reunião de hoje, 50 ou 60 pessoas, apenas um contato. Nada fraterno ou  amistoso, mas rapidíssimo.


PS5- Agora uma notícia em “primeira mão”, para a advocacia do Rio de janeiro. O presidente da Ordem dos advogados do Brasil - Seccional do Rio de Janeiro, Felipe Santa Cruz e seu tesoureiro Luciano Bandeira, revelaram para esse repórter que vão REDUZIR o valor da ANUIDADE da instituição. A medida faz parte do Plano de Redução de Custos, visando ajudar os devotados jurisconsultos a superar a crise que assola o país. De acordo com o dirigente, isso só foi possível, graças o planejamento e empenho do tesoureiro geral da OAB Luciano Bandeira, que enxugou os custos da máquina da instituição. Bela iniciativa, merece minhas saudações.